MERGULHANDO PARA PROTEGER: os tubarões

Resumo: O turismo valoriza o destino e o comércio local, além de agregar conhecimento da cultura local e o bem estar. O ecoturismo é das uma forma de lazer que vem crescendo e com isso aumentando o incentivo à preservação do meio ambiente. Relacionado com o ecoturismo a atividade de mergulho consegue unir opções de turismo com a proteção ambiental e atividades físicas. Na ilha de Nassau capital das Bahamas existe o shark dive como atividade de ecoturismo. É um mergulho onde o foco é o contato e preservação da vida marinha em especial os tubarões. A escolha de um destino turístico unindo turismo com contato com a vida marinha exige um planejamento alinhado com as respectivas nunca se esquecendo dos e pontos de atenção que uma viagem precisa.

Palavras chaves: Planejamento, tubarão, mergulho, Bahamas, preservação.

Abstract: The tourism enhances the destination and local trade, and aggregate knowledge of local culture and welfare. Ecotourism is a form of entertainment that is growing and thus increasing the incentive to preserve the environment. Related to ecotourism diving activity can unite tourism options with environmental protection and physical activities. There is a shark dive and ecotourism activity on the island of the Bahamas capital Nassau. It’s a dip where the focus is the contact and preservation of marine life in particular sharks. The choice of a destination combining tourism with contact with marine life requires planning aligned with their never forgetting the points of attention and a need to travel..

Key words: Planning, shark, diving, Bahamas, preservation.

1- INTRODUÇÃO

O objetivo desse artigo é de apresentar o que é necessário para o planejamento de uma viagem de mergulho com a responsabilidade de ajudar na preservação dos tubarões, esclarecendo mitos e informando das necessidades afim de atingir o resultado de uma viagem inesquecível.

Opções de lazer junto ao meio ambiente estão em alta, cada vez mais vem crescendo a procura de atividades relacionadas à natureza e a vida animal. “Mais pessoas foram para o espaço do que para o fundo do mar” (Carlyle, 2013), sendo que os primeiros mergulhadores iniciaram seus experimentos e enfrentaram as profundidades no início do século passado, de lá para cá a indústria do mergulho tem crescido bastante.

A cada ano mais indivíduos entram nesse mundo maravilhoso das profundezas. É comum o medo do desconhecido e falta de conhecimento, quando se pensa em mergulho em águas profundas logo vem o medo do desconhecido e das criaturas que lá vivem.  Os tubarões são temidos devido a sua aparência, agressividade e histórias. Histórias essas, que nasceram a muitos anos, quando os pescadores superfaturavam no custo do pescado, e alegavam que era alto devido ao risco de enfrentar as feras marinhas que afirmavam que existiam, como bestas marinhas e monstros colossais. E para evidenciar a existência desses monstros assustadores, algumas vezes traziam alguns tubarões. Organizações pelo mundo têm feito trabalhos de conscientização e proteção dessas “feras” que na verdade são vítimas.

2- O MERGULHO

Mergulhar proporciona uma sensação maravilhosa. Mesmo que seja de snorkel, o mergulho com cilindro traz uma emoção ainda maior, já que se faz necessário usar técnicas para sentir o mergulho.

Um destino atrai os turistas por sua beleza, história, belas paisagens, cultura, culinária e outros. Alguns destinos turísticos próximos de litoral, ou lagos, podem até trazer oportunidade de conhecer outro plano do destino, o submerso.

Na ilha de Páscoa, no Chile, existe os Moais, pouco se sabe dessas estátuas e o povo que lá viveu, porém durante investigações científicas identificaram uma série de moais submersos.

No Japão foram encontrados submersos diversos indícios de uma civilização antiga, nessa cidade foi encontrada uma pirâmide datada de mais de 10.000 anos (Kimura, 1997). Essa cidade submersa está a uma profundidade de 40 metros, sendo possível o turismo para mergulhadores certificados.

Qualquer pessoa pode fazer uma experiência de mergulho, é o chamado batismo, nessa categoria de mergulho o turista recebe breves orientações sobre o que é o mergulho e como se comportar debaixo d’água, em uma profundidade máxima de até 5 metros, o mergulho é acompanhado por um dive master, o qual fará todo o mergulho segurando o cilindro do turista a fim de manter a segurança e o controle da situação.

Caso queria continuar mergulhando, o ideal é fazer o curso para certificar que tenha os devidos conhecimentos. Nessa categoria, o indivíduo ganha mais autonomia e a possibilidade de mergulhos até 18 metros de profundidade.

Muitos têm medo do mar por não saber nadar, mas no mergulho pouco ou nada se usa nada das técnicas de natação, pelo contrário, algumas vezes até atrapalha. É bom saber nadar para casos de emergência. Mas não é um pré-requisito para o curso básico de mergulho.

Existem aqueles que não querem se aventurar fazendo mergulho devido aos riscos da vida marinha, como o encontro de uma raia, água viva ou tubarão, por exemplo.

Por mais agressivo que seja o animal ele nunca vai atacar sem motivos, os humanos não estão na dieta alimentar desses animais, e por mais difícil que possa parecer, eles sentem mais medo de uma pessoa, do que uma pessoa sentir de medo por deles. O que acontece comumente, é a curiosidade a ponto do animal chegar próximo de um grupo de mergulhadores durante uma saída, mas quando um mergulhador tenta chegar próximo é comum eles fugirem.

Um dos mais temidos desses animais é o tubarão, devido ao trabalho negativo que mídias promovem sua aparência e tamanho, faz com que os turistas tenham medo do que possa acontecer ao avistar um tubarão.

“Não é comum um tubarão entrar em uma área costeira repleta de pessoas para selecionar uma vítima. Por outro lado, com frequência a vítima é a pessoa que foi subitamente deixada sozinha e mais afastada da praia que os outros.” (BALDRIDGE, 1974)

Esses animais são importantes para os oceanos pois eles fazem o papel de lixeiros dos oceanos, além de ajudar a controlar a quantidade de algumas espécies em abundância.

De acordo com o Florida Museum of Natural History (Burgess, 2014), uma média de 5 pessoas morrem por ano devido a ataques de tubarões, à frente dos índices de mortes estão outros em primeiro lugar como obesidade, raios, envio de mensagens de texto ao volante, compras em mega liquidações, ilustrado na tabela 1 (Burgess, 2014).

Tabela 1

 

Registros de mortes e ataques de tubarões no período de 2004 à 2013.

Fonte: http://www.flmnh.ufl.edu/fish/sharks/statistics/statsw.htm

tabela

 

3- ESCLARECENDO OS ATAQUES:

Para um tubarão, um surfista batendo os braços e pernas sobre uma prancha de surfe pode parecer muito com uma presa usual. Além do que os surfistas ficam na área onde as ondas fazem espuma, dificultando a distinção da sua presa e facilitando o ataque.

image

“Em 90% dos incidentes com tubarões, o que ocorre é um erro. Os tubarões acham que somos alguma coisa que não somos.” (Adkison, 1999).

Figura 1 – Representação da visão de tubarão.

“O tubarão ataca o ser humano por confundi-lo com uma presa regular do seu hábito alimentar. É por esse motivo que na maioria dos casos os tubarões soltam suas vítimas após o ataque, outra explicação para os ataques nas nossas praias é o fato dos tubarões sentirem-se ameaçados pela presença humana ou ainda em defesa de seus territórios. Afinal, o mar é a casa deles.” (Hazin, 2003).

Em alguns países, como o Japão, a pesca de tubarões é liberada como atividade local. Geralmente o objetivo dessa pesca é para cortar as barbatanas, já que algumas culturas afirma ser um exótico afrodisíaco.

Sem os tubarões, pode haver aumento descontrolado de algumas espécies, e demora na decomposição de grandes animais como baleias e outros.

Existem organizações, como a Sea Shepherd visam à proteção dos tubarões, e agem ativamente em manifestações, abaixo assinados, interferências na pesca entre outras ações. Algumas operadoras de mergulho encontraram uma forma para ajudar na proteção desses animais, é o chamado shark dive, ou mergulho com tubarões. Que nada mais é do que atividades de mergulho com observação aos tubarões.

4- MERGULHANDO COM TUBARÕES

Na ilha de Nassau capital das Bahamas, a operadora de mergulho Stuart Cove’s (Cove, 1978) promove um shark dive lusitano, onde promovem a observação de tubarões de recifes alimentando-os.

A atividade se baseia em uma saída com dois mergulhos, o primeiro sendo livre como um mergulho convencional onde já se observa alguns poucos tubarões, esse mergulho é somente para a observação desses animais em sua cadeia cotidiana. Já no segundo mergulho os turistas recebem algumas orientações como ficar em círculo, não sair de sua formação, não esticar as mãos durante a atividade. Assim que todos turistas estão posicionados em segurança, uma nova equipe de mergulhadores entra em ação, esses além dos equipamentos de mergulho, utilizam também um tipo de traje de bolinhas de ferro. O primeiro, um cinegrafista que filma todos do grupo e a atividade, o segundo para tirar fotos, e o terceiro acompanha uma caixa com pedaços de peixes, quando esse entra na água o olfato dos tubarões os atraem para o meio do círculo. E com cuidado retira um pedaço por vez de peixes com uma lança e oferece aos tubarões, esses por sua vez com a farta oferta de comida brigam entre si para pegar cada pedaço. Os tubarões aparecem de todas as partes passando ao lado e até por cima dos turistas deixando a adrenalina à flor da pele.

Quando a atividade termina o shark-man se retira do local e os tubarões vão atrás, deixando o ambiente seguro para que os turistas possam ver se encontram algum dente de tubarão e sair com segurança.

Acredita-se que essa atividade faz mal para a cadeia alimentar desses animais, já que o senso de predatório passa a diminuir com a fácil e farta comida.

São exigidos alguns pré-requisitos para a segurança de todos os envolvidos, como a certificação do conhecimento em mergulho de cada participante e breve avaliação psicológica com questionários.

Essas práticas têm tido alguns resultados positivos como, o turismo local, aqui se incluem restaurantes no destino, hotelaria, artesanato, a valorização e divulgação do destino e ainda a preservação da vida marinha. Com o aumento dessa prática, pescadores deixaram de pescar tubarões e encontraram oportunidade de ganhar dinheiro do turismo que a preservação vem proporcionando.

“Finalmente, nos demos conta de que os tubarões valem mais vivos do que mortos, embora as barbatanas e outros produtos derivados do tubarão sejam valiosos, o papel que estes animais têm no ecossistema marinho não tem preço.” (Wilson, 2010).

5- PLANEJAMENTO DA VIAGEM

Para uma viagem com intuito em mergulho, são necessários alguns cuidados, além do planejamento.

A escolha do local está relacionada com o objetivo, e na maioria das vezes deve-se atentar-se para eventos externos e naturais, pois uma viagem de mergulho pode ser impactada diretamente com a situação climática em determinada época do ano, ou alguma situação política que esteja acontecendo como greves.

A quantidade de dias no destino é o que geralmente representa o planejamento da viagem, é comum dedicar o primeiro dia para descanso no destino. Para quem mergulha sabe que não pode pegar um voo antes de 12 horas após seu último mergulho. Dependendo da quantidade de mergulhos e do tipo, muitas vezes pode ser necessário que o tempo em solo seja de pelo menos 24 horas. Dentre os riscos de ignorar essa regra está à doença descompressiva, que se caracteriza devido as diferenças de pressões de um mergulho de 18 metros para um voo comercial a mais de 15.000 pés de altitude.

O planejamento das atividades em solo é importante que seja feito com antecedência para que não perda tempo e dinheiro.

Muitas pessoas erram por não planejar corretamente as fases de uma viagem. É importante a comunicação com os serviços que pretende contratar alinhando tempo, custo e as demais atividades. Devido à alta procura de algumas atividades turísticas, como o mergulho, é necessário o agendamento prévio já que existe um número de mergulhadores por embarcação.

Definido o destino, e mapeado os possíveis riscos da viagem, é necessário planejar o transporte, Um ponto de atenção nessa fase é a importância de seguro viagem, existem riscos de perda de mala, voo, mal estar durante a viagem.

Definida a quantidade de dias em um destino, deve-se imediatamente definir o ponto de hospedagem. Nem sempre a hospedagem mais acessível, fica mais barato. Pode haver gastos com o transfer do hotel para as atrações turísticas, fazendo com que algumas vezes o custo final seja superior.

Alimentação é um item que deve ser levando com bastante a sério. Em alguns destinos, a comida local pode exagerar no tempero, ou algum tipo de especiaria local pode fazer com que uma viagem de lazer se torne em algo desagradável.

Levantados todos os itens da viagem junto com os riscos, planificar como uma lista de verificação ajuda no controle do andamento da viagem e possíveis pontos de problemas.

Quanto mais levar na mala, mais a viagem pode ficar melhor acessível financeiramente, porém existem os riscos de estouro do limite de peso por passageiro. Além do transtorno de carregar e ter que arrumar a cada parada se sua viagem tiver mais de um ponto para conhecer. Equipamentos de mergulho são volumosos, ocupando espaço de ouro na bagagem. Mas nada se equivale do que mergulhar com o equipamento ajustado pelo mergulhador.

6- CONCLUSÃO

É imprescindível o planejamento para uma viagem de mergulho, em milhares de destinos turísticos existem oportunidades de conhecer um pouco a mais da vida marinha do destino escolhido. Em alguns casos pode ocorrer de existir espécies que apresentem algum tipo de medo, como os tubarões. Deixar de discriminar o tubarão como um animal agressivo, já que os ataques identificados ocorreram por engano ou para se proteger. Das taxas de mortalidade os ataques com tubarões são um dos menores, e o reflexo desses ataques acaba virando contra eles já que muitos humanos usam desses ataques para continuar com a pesca e matanças dos tubarões.

REFERÊNCIAS

ADKISON, Gary. Underwater Parks: Economic and Ecological Aspects. Disponível em: <http://www.sharkinfo.ch/SI2_99e/parks.html&gt;. Acesso em: 19 jun. 2014

BALDRIDGE, David H. Shark Attack. Berkeley, 1974. (0-425-03988-9)

BURGESS, George. How, When, and Where Sharks Attack. International Shark Attack File. http://www.flmnh.ufl.edu/fish/sharks/attacks/howwhen.htm. Acessado em: 19 jun. 2014.

CARLYLE, Ryan. Why Don’t We Spend More On Exploring The Oceans, Rather Than On Space Exploration?. Disponível em:

<http://www.forbes.com/sites/quora/2013/01/31/why-dont-we-spend-more-on-exploring-the-oceans-rather-than-on-space-exploration/&gt;. Acesso em 19/06/2014.

Hazin, Fábio. Ataques de tubarão na costa do estado de Pernambuco. Disponivel em: <http://www.comciencia.br/reportagens/litoral/lit19.shtml&gt;. Acesso em: 19/06/2014

KIMURA, Masaaki. A Continent Lost in the Pacific. Disponível em: < http://www.morien-institute.org/interview1_MK.html&gt;. Acesso em 19/06/2014.

STEEL, Rodney. Sharks of the World. Facts On File, 1998. (0-8160-5212-3).

WILSON, Elizabeth Griffin. Para entender “Tubarão”. Disponível em: <http://www.pesca.sp.gov.br/noticia.php?id_not=7745&gt;. Acesso em: 19 jun. 2014

COVE’S, Stuart. Stuart Cove’s. Disponível em: < http://www.stuartcove.com/&gt;. Acesso em: 19 jun. 2014

Sea Shepherd, Sea Shepherd. Disponível em: <http://seashepherd.org.br/&gt;. Acesso em: 19 jun. 2014

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